Como a nostalgia se tornou um dos mercados mais lucrativos da atualidade
A nostalgia está se tornando uma estratégia de negócio. Cada vez mais, as marcas estão transformando memórias afetivas do passado em produtos, experiências e narrativas capazes de gerar engajamento e lucro. O apoio desta estratégia está em um fator poderoso: a lembrança de tempos considerados mais simples, marcantes e felizes. Olhar para trás oferece conforto, em meio ao cenário atual de excesso de informação e mudanças rápidas.
Marcas, estúdios e plataformas entenderam que nostalgia não é apenas saudade, mas também valor percebido. Filmes, séries, games, moda e tecnologia usam referências dos anos 80, 90 e início dos 2000 para se conectar com públicos que cresceram nesse período e hoje são adultos com poder de compra. E mesmo que nem todos tenham as mesmas referências, elas conseguem despertar curiosidade para serem redescobertas, criando assim um ciclo contínuo de interesse.
Além disso, a nostalgia leva a um alto potencial de compartilhamento nas redes sociais. Lembranças pessoais viram conteúdo, tendências e até movimentos culturais, ampliando o alcance orgânico das marcas que sabem usar esse gancho com autenticidade.
Como as produções atuais resgatam o passado
A cultura atual está repleta de referências ao passado. No universo dos games, também fica evidente. A plataforma de jogos de apostas online PlayUZU é um bom exemplo. Ela reúne diversos jogos com gráficos inspirados nos clássicos dos anos 80 e 90, como Funky Time, Retro Sweets e Aviator.
Outro caso emblemático é The Elder Scrolls IV: Oblivion, jogo de aventura épica desenvolvido pela Bethesda lançado originalmente em 2006. Mesmo não sendo tão antigo quanto os jogos retrô clássicos, ele se tornou um ícone nostálgico para jogadores que cresceram nos anos 2000. Seu universo aberto, trilha sonora marcante e estética própria continuam sendo referência, influenciando remakes, mods e discussões até hoje.
A nostalgia também aparece no hardware. A fabricante norte-americana Maingear lançou recentemente o Retro98, um PC gamer de edição limitada que resgata a estética dos computadores dos anos 1990. Apesar de contar com uma tecnologia moderna, o visual da máquina remete aos antigos gabinetes.
Já na internet, a saudade também consegue criar tendências. A trend “2026 é o novo 2016” levou tanto pessoas famosas quanto anônimas a compartilharem suas memórias e momentos daquele ano, discutindo sobre como seus estilos e gostos mudaram.
Lembrar é viver
O negócio da nostalgia vai além de uma simples celebração do passado. De acordo com um levantamento feito pela 3mais, a nostalgia não apenas engaja, mas influencia decisões de compra, especialmente em um cenário digital saturado, onde consumidores buscam familiaridade, autenticidade e conforto.
Outro ponto central é a chamada economia da memória, na qual marcas revisitam sua própria história para ganhar legitimidade e reduzir riscos criativos. Reboots, remakes e estéticas retrô funcionam porque já carregam valor simbólico embutido, facilitando a conexão imediata com o público.
Seguindo esta estratégia, o passado deixa de ser apenas memória e se transforma em ferramenta competitiva, capaz de gerar engajamento, vendas e relevância cultural. No centro desse movimento está a mensagem de que em tempos de incerteza, lembrar também é uma forma de avançar.