Insights, Ideias de negócios e muito mais

Carro como ferramenta de trabalho: quais custos precisam entrar na conta

Quem trabalha com o próprio carro costuma saber de cabeça quanto gasta no posto. O problema é que combustível é apenas a parte mais visível de uma conta bem maior.

publicidade

Isso vale para motorista de aplicativo, representante comercial, técnico que atende clientes, vendedor externo, entregador, corretor e qualquer profissional que dependa do veículo para produzir renda. Se o automóvel faz parte do trabalho, ele também precisa entrar na formação do preço desse trabalho.

A diferença parece pequena até aparecer uma troca de pneus, uma revisão mais cara ou alguns dias de carro parado na oficina. É nesse momento que muita gente percebe que vinha calculando o lucro considerando apenas gasolina ou etanol.

Saber quanto o veículo custa por quilômetro não exige uma contabilidade complicada. Mas exige colocar na conta despesas que não aparecem todos os dias.

publicidade

Combustível é o ponto de partida, não o custo total

O gasto com combustível é relativamente fácil de estimar.

Basta saber quantos quilômetros o carro percorre, qual é seu consumo médio e quanto custa o litro do combustível utilizado.

publicidade

Imagine um veículo que rode 2.000 quilômetros por mês e faça 10 km/l. Ele precisará de aproximadamente 200 litros no período.

Se o combustível custar R$ 6 por litro, teremos R$ 1.200 mensais.

Esse cálculo já é mais útil do que simplesmente observar quanto foi gasto no cartão, porque relaciona despesa e quilometragem.

publicidade

Quem quer obter um número mais próximo da realidade pode acompanhar os próprios abastecimentos durante algumas semanas. Zerar o hodômetro parcial, registrar litros abastecidos e quilômetros percorridos costuma oferecer uma média mais fiel do que confiar apenas no número exibido pelo computador de bordo.

Também é melhor utilizar o preço praticado na própria região. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, publica levantamentos periódicos de preços, mas os valores variam entre cidades e até entre bairros.

O erro mais comum é chamar de lucro tudo o que sobra depois do combustível

Suponha que um profissional receba R$ 2 por quilômetro percorrido em determinada atividade.

Seu combustível custa R$ 0,60 por quilômetro.

Seria tentador concluir que os R$ 1,40 restantes são lucro.

Não são.

Parte desse valor ainda precisará pagar pneus, óleo, filtros, manutenção, seguro, tributos do veículo e a própria desvalorização do automóvel.

É por isso que uma atividade pode parecer rentável enquanto o carro está novo e sem dar manutenção, mas deixar uma conta pesada alguns meses depois.

O profissional que considera somente o gasto imediato está, na prática, utilizando parte do patrimônio sem contabilizar seu consumo.

Transforme despesas anuais em despesas mensais

IPVA e licenciamento chegam uma vez por ano, mas o carro trabalha durante o ano inteiro.

Para calcular o custo de utilização profissional, faz mais sentido dividir essas despesas por 12.

Se IPVA, licenciamento e outras obrigações somarem R$ 4.800 no ano, existe um custo médio de R$ 400 por mês associado a esses itens.

Isso não significa que o dinheiro será pago mensalmente. É apenas uma forma de enxergar corretamente a despesa.

A mesma lógica vale para o seguro.

Quem paga R$ 3.600 por ano possui, para efeito de cálculo, um custo médio de R$ 300 mensais.

Colocar esse valor na planilha evita o erro de considerar o seguro um “gasto extraordinário” quando a renovação chega. Se ele é necessário para manter o carro protegido durante a atividade, faz parte do custo do veículo.

Seguro também precisa combinar com a utilização real do carro

Quem utiliza o automóvel profissionalmente deveria ter cuidado especial na hora de preencher uma cotação.

Informações sobre utilização, condutores e características do risco podem influenciar as condições oferecidas. Por isso, os dados informados precisam corresponder à realidade.

Na pesquisa de mercado, uma ferramenta como o Compare Em Casa pode fazer parte do processo de comparação no Brasil. O ponto importante é analisar propostas equivalentes, e não simplesmente escolher o menor preço.

Para quem depende do carro para gerar receita, itens como assistência, guincho e carro reserva podem ganhar um peso diferente.

Um profissional que passa cinco dias sem veículo não enfrenta apenas o incômodo de ficar sem carro. Dependendo da atividade, pode perder faturamento durante o período.

Por isso, uma diferença relativamente pequena no valor do seguro pode ter outro significado quando as condições de assistência são diferentes.

Pneus deveriam ter um custo por quilômetro

Pneu é um ótimo exemplo de despesa esquecida.

Imagine, apenas para facilitar a conta, que um jogo de quatro pneus custe R$ 2.400 e seja utilizado por 40 mil quilômetros.

Dividindo um valor pelo outro, chegamos a aproximadamente R$ 0,06 por quilômetro.

Não significa que todos os pneus custem ou durem isso. O desgaste depende do produto, do carro, da calibragem, do alinhamento, das vias e da forma de condução.

O exemplo serve para mostrar a lógica.

Cada quilômetro rodado consome uma pequena parte daqueles pneus. Quando chega o momento da troca, o gasto apenas se torna visível.

Quem roda muito a trabalho sente esse efeito mais rápido.

Também faz sentido incluir nessa reserva alinhamento, balanceamento e eventuais reparos relacionados ao conjunto.

Manutenção precisa ser calculada antes da oficina

É impossível prever com precisão tudo o que um carro gastará em manutenção. Ainda assim, isso não justifica colocar zero nessa linha da conta.

Algumas despesas são previsíveis.

Óleo, filtros, fluidos e componentes de desgaste seguem orientações de manutenção estabelecidas pelo fabricante. Pastilhas, discos, suspensão e outras peças dependerão da utilização e do estado do veículo.

Uma estratégia simples é olhar o histórico dos últimos 12 ou 24 meses.

Quanto foi gasto com revisões e reparos?

Divida o total pela quilometragem rodada no mesmo período.

Se foram R$ 6 mil de manutenção ao longo de 30 mil quilômetros, por exemplo, o histórico daquele veículo indica aproximadamente R$ 0,20 por quilômetro.

Isso não garante que o próximo ano terá o mesmo comportamento, mas produz uma referência muito melhor do que ignorar completamente o gasto.

Veículos mais antigos podem exigir uma margem adicional justamente porque reparos inesperados tendem a aparecer com maior frequência.

Existe ainda o custo de o carro ficar parado

Essa linha raramente aparece em uma planilha, embora possa ser uma das mais importantes.

Considere um profissional que fature, em média, R$ 500 por dia utilizando o automóvel.

Se uma falha mecânica deixar o carro três dias na oficina e não houver alternativa de trabalho, o impacto potencial não se limita à conta do mecânico.

Há também a receita que deixou de ser produzida.

Isso não quer dizer que todos os profissionais devam colocar “dias parados” como uma despesa fixa mensal. Mas é prudente criar uma reserva para imprevistos e pensar antecipadamente em alternativas.

Existe outro carro disponível?

É possível alugar um veículo?

O seguro oferece carro reserva nas condições contratadas?

A atividade consegue continuar sem automóvel?

Essas respostas fazem parte da gestão do negócio de quem depende da mobilidade.

Depreciação é dinheiro que sai sem passar pela conta bancária

Esse costuma ser o componente mais difícil de aceitar porque não existe boleto.

Imagine que alguém compre um carro por R$ 100 mil e, depois de alguns anos de uso intenso, consiga vendê-lo por R$ 65 mil.

Houve uma redução patrimonial de R$ 35 mil.

Nem toda essa perda ocorreu por causa do trabalho. Automóveis normalmente desvalorizam ao longo do tempo mesmo com utilização particular. Porém, quilometragem elevada e desgaste podem influenciar o valor de revenda.

A Tabela Fipe pode ajudar a acompanhar preços médios de mercado, mas deve ser tratada como referência. O preço efetivo depende de conservação, região, histórico, versão e diversas características do veículo.

Quem utiliza o carro de maneira intensa para trabalhar deveria ao menos reconhecer que existe um custo de reposição do bem.

Caso contrário, pode passar alguns anos retirando uma aparente renda alta e descobrir depois que não acumulou recursos suficientes para trocar o veículo.

Financiamento não pode desaparecer da conta

Quando o automóvel ainda está financiado, a parcela interfere diretamente no fluxo de caixa.

Nesse caso, é importante separar duas análises.

A primeira é financeira: quanto precisa sair do caixa todos os meses para o carro continuar sendo pago?

A segunda é econômica: qual é efetivamente o custo do veículo e quanto está sendo pago em juros e outros encargos do financiamento?

Para quem trabalha por conta própria, ignorar a parcela pode criar uma ilusão de rentabilidade.

Uma atividade que gera R$ 5 mil mensais depois do combustível pode parecer excelente. Mas se ainda existem R$ 1.800 de financiamento, manutenção, seguro, impostos e outros custos, o resultado líquido muda bastante.

Estacionamento e pedágio precisam ser atribuídos ao serviço certo

Alguns profissionais têm despesas que só existem porque determinado trabalho foi realizado.

É o caso de pedágio em uma visita a outra cidade ou estacionamento necessário para atender um cliente.

Esses valores não deveriam desaparecer no meio das despesas pessoais.

Sempre que possível, vale registrá-los por atendimento, rota ou projeto.

Isso permite descobrir algo que muitas vezes passa despercebido: determinados clientes ou regiões podem gerar bastante faturamento bruto, mas deixar margem pequena depois dos custos de deslocamento.

Essa informação ajuda inclusive a decidir quanto cobrar.

A lógica vale também para quem trabalha com carro em outros mercados

O princípio de gestão é o mesmo independentemente do país: o custo do automóvel precisa fazer parte do cálculo da atividade profissional.

Na Argentina, por exemplo, quem precisa pesquisar proteção para o veículo pode consultar alternativas por meio do Compara en Casa. Assim como no Brasil, o preço isolado não deveria ser o único critério. É necessário observar as condições oferecidas e verificar se elas fazem sentido para a forma como o carro é utilizado.

Quando o veículo é instrumento de trabalho, essa avaliação deixa de ser apenas uma questão patrimonial.

Ela também envolve continuidade da atividade.

Como chegar ao custo por quilômetro

Não existe uma fórmula perfeita para todos os casos, mas uma conta prática já ajuda bastante.

Primeiro, some os gastos de um período:

combustível;

manutenção;

pneus;

seguro;

IPVA e licenciamento;

pedágios e estacionamentos relacionados ao trabalho;

lavagens e outros gastos necessários;

uma estimativa de depreciação.

Depois, divida o total pela quantidade de quilômetros rodados no mesmo período.

Imagine que todos esses custos tenham somado R$ 36 mil durante um ano no qual o carro percorreu 30 mil quilômetros.

O custo médio seria:

R$ 36.000 ÷ 30.000 km = R$ 1,20 por quilômetro.

Agora a análise muda.

Um trabalho que remunera R$ 1,40 por quilômetro deixa apenas R$ 0,20 antes de considerar outros custos profissionais e impostos. Uma atividade que paga R$ 2,50 começa a apresentar outra margem.

O número exato não é o mais importante. O importante é abandonar a ideia de que o único custo para colocar o carro na rua é aquilo que entra no tanque.

Faturamento e lucro são coisas diferentes

Essa diferença fica ainda mais importante para quem utiliza o automóvel todos os dias.

Receber R$ 8 mil em um mês não significa ganhar R$ 8 mil.

Se R$ 3 mil foram necessários para manter o carro trabalhando, esses R$ 3 mil ajudaram a produzir o faturamento. Não são renda disponível para consumo pessoal.

Quanto mais cedo o profissional separa esses conceitos, melhor consegue avaliar se determinada atividade realmente vale a pena.

Também fica mais fácil criar uma reserva para manutenção, trocar o veículo no momento certo e negociar preços de serviços com base em números reais.

O carro pode ser uma excelente ferramenta de trabalho. Mas, como qualquer ferramenta utilizada para produzir renda, ele se desgasta, exige manutenção e precisa ser substituído algum dia.

Quando esse custo entra na conta desde o começo, fica muito mais difícil confundir dinheiro que apenas passou pelo caixa com dinheiro que realmente ficou no bolso.